I -
INTRODUÇÃO 

Nos termos da Lei, a Junta Freguesia Miragaia vem apresentar à Assembleia de Freguesia e submeter à sua apreciação o Relatório de Actividades e Conta de Gerência respeitantes ao ano de 2004. 

O Presente relatório reproduz muita informação prestada nas reuniões da Assembleia de Freguesia ao longo do ano e as acções que consideramos mais importantes na nossa actividade, sempre como é do conhecimento de todos, muito condicionada pelos escassos recursos financeiros da Autarquia e sobretudo pelas reduzidas competência atribuídas às Juntas de Freguesia.
 

II - HABITAÇÃO 

            No ano de 2004, foi constituída a Sociedade de Reabilitação Urbana, mas tal situação não trouxe, por enquanto, quaisquer efeitos ao nível da reabilitação na Freguesia de Miragaia. Pelo contrário, fomos surpreendidos com o facto de todos os prédios municipais terem sido postos à venda. Tal situação é preocupante e a Junta de Freguesia já manifestou a sua total discordância, quer junto da Vereadora, quer em declarações públicas em vários órgãos de comunicação social. 

            No plano dos princípios, não somos contra o investimento dos privados no Centro Histórico, porque a sua reabilitação não pode ser feita só à custa do erário público, no entanto, é preciso estabelecer equilíbrios para evitar que, a muito curto prazo, a sua população autóctone desapareça por falta de condições de habitabilidade e o Centro Histórico fique descaracterizado.

            Estamos apreensivos porque nos últimos anos não houve qualquer investimento camarário no Centro Histórico ao nível da reabilitação urbana. Preocupa-nos, não só o facto de as casas municipais estarem à venda, mas o facto de não haver directivas, pois podem muito bem ser compradas e ficarem em ruína indefinidamente, porque não estão previstas cláusulas que imponham prazos para a sua reconstrução e vamos continuar a ter um Centro Histórico degradado e desertificado e sem soluções para dar resposta à precaridade habitacional das muitas famílias que ainda não têm este problema resolvido e que são, infelizmente, muitas. 

            Também no plano de reabilitação dos imóveis dos privados, é necessário aguardar anos para a aprovação dos licenciamentos e as intervenções ao nível do RECRIA têm sido muito ténues, apenas dois casos se registaram em Miragaia nos últimos três anos, sendo que um deles já transitou do executivo anterior.

            A acrescentar a tudo isto, assistimos a uma redefinição totalmente unilateral, pois não houve qualquer envolvimento dos parceiros relativo ao âmbito de intervenção da F.D.H.P., dado que foi truncada da reabilitação do edificado.

            Face ao exposto, resta-nos continuar a “exportar” as famílias para os bairros camarários e não deixar cair os braços, denunciando que se está a asfixiar o Centro Histórico e lutar para que estas políticas mudem. 

            Embora esteja assumido pela F.D.Z.H e contratualizado com a CMP o realojamento das famílias de S. Pedro de Miragaia, a situação arrasta-se no tempo o que é muito penalizante para todas as pessoas que ainda lá vivem, sob a ameaça de ruína eminente.

            Em relação ao S. Pedro de Miragaia, houve avanços no plano da reconstrução da sua sede. Foi aprovado pelo Governo uma candidatura de 10 mil euros, sendo agora necessário que a Fundação lidere o processo através da apresentação dos projectos e do plano de obras. 

            Preocupa-nos e achamos incompreensível o desinvestimento do Pelouro da Habitação relativo ao complexo das Virtudes. A Junta de Freguesia colaborou com a CMP, criando alternativas para o equipamento ali existente (ATL e Pré-Escolar) e contratualizou com as famílias que a mudança seria temporária. A situação perpetua-se no tempo e é grave, pois o Sr. Presidente da Câmara assumiu perante a Freguesia e a Cidade, prazos para a conclusão da referida obra.
 

III - HORTO DAS VIRTUDES 

            Mais uma vez foi um ano adiado para a projecção do Horto das Virtudes, pois não foram ainda colocadas as grades de protecção. Como é reconhecido por todos, enquanto não se proceder a esta obra de beneficiação, a utilização do horto está amputada por questões básicas de segurança e prejudicada a realização de eventos que seriam muito importantes para a sua revivificação e projecção.

            Também nada foi feito relativo à intervenção de requalificação do Jardim do Carregal e do equipamento ali existente é para nós muito penoso que quando terminarem as obras do túnel, este espaço público não esteja também requalificado. 

 

IV - ARRUAMENTOS E ILUMINAÇÃO PÚBLICA 

            Concretizou-se uma reivindicação antiga da Junta de Freguesia, foi a realização das obras de beneficiação da Rua e Travessa da Lage e ficaram concluídas as obras do troço final da Rua da Restauração e o Largo da Escola Médica até ao Hospital de Stº António. 

 

V - ACÇÃO SOCIAL 

            No prosseguimento dos objectivos iniciais traçados, o serviço social desta autarquia, no ano de 2004, deu continuidade a acções que estavam em curso, sistematizando-se assim:

- Processos de acompanhamento sócio-familiar no âmbito da Acção Social, destacando-se as seguintes rubricas:

§          Precaridade

§          Apoio domiciliário

§          Situações de risco (HIV e Toxicodependência)

§          RSI (Rendimento Social de Inserção)

§          Apoio psico-social

- Levantamento habitacional e constituição de processos habitacionais, sinalizados como “urgentes” / risco de ruína:

§         Inexistência de condições de salubridade

§         Sobrelotação de espaços

§         Degradação interior e exterior 

Na área educativa, procedeu-se a um estudo sócio-familiar das crianças que frequentam a valência de ATL, por forma a proporcionar uma melhor adaptação destas à escola e ATL (nomeadamente as crianças que frequentam o 1º ano do 1º ciclo), bem como atender a algumas necessidades sentidas pelos encarregados de educação. 

Acompanhamento específico a situações que envolvem menores em risco (Tribunal Família e Menores do Porto), bem como a maternidades precoce e monoparentalidade. 

Apesar de uma atenção cada vez maior sobre esta problemática, há, no entanto, situações que, por vezes, nos escapem. Isto deve-se, muitas vezes, ao facto de existirem ainda pessoas que consciente ou inconscientemente, encobrem as suas necessidades. 

Continua a ser uma preocupação constante deste Executivo uma outra franja débil da população: os idosos.

Cada vez se acentua mais o seu isolamento e, consequentemente, as suas necessidades. E talvez a mais premente seja a necessidade de convivência, de captação da atenção dos outros. Neste sentido, e a exemplo de anos anteriores, não temos poupado esforços na concretização de iniciativas que visem exclusivamente o convívio entre esta camada da população.

Assim, as aulas de ginástica continuam a ser muito participadas, contribuindo para o seu bem estar físico e psíquico, ao mesmo tempo que servem de pretexto para alguns deles se encontrarem. 

O mesmo se pode dizer do Passeio Anual que contou com a presença de cerca de 200 idosos e que teve como destino a Cidade de Melgaço. 

Também a Ceia de Natal decorreu com a normalidade e a alegria que são já uma característica desta iniciativa. Os Bailes da Primavera e de Outono (este último incluindo a celebração do Dia de S. Martinho) caracterizam-se por serem eventos de grande sucesso, contanto com a presença de muitos idosos que se mostram já fieis a estas iniciativas da Junta. 

As Colónias Balneares decorreram na primeira semana de Agosto, terminando com um lanche na Quinta de Conceição. Não faltaram as crianças que também, em conjunto com os idosos (alguns deles seus avós), participaram nestas colónias.

 Infelizmente, ainda não foi possível reactivar o Posto de Enfermagem (Alfândega e Sede da Junta), devido a problemas que se prendem com os horários dos Técnicos deste serviço. Estamos, no entanto a encetar todos os esforços, no sentido da contratação de um profissional de assegure o atendimento à população.

Não podemos deixar de referir a homenagem prestada a um idoso desta Freguesia, no contexto da comemoração do Dia do Idoso. Também esta é uma iniciativa que muito tem agradado a todos, nomeadamente, aos homenageados, contribuindo, assim, para que a divulgação do trabalho destes idosos em prol da Freguesia, sirva de exemplo ao mais jovens. 

 

VI - EDUCAÇÃO 

É sempre uma matéria à qual somos muito sensíveis, já que se trata de formação de indivíduos, futuros adultos que se pretendem instruídos, interventivos, críticos.

Assim, todas as iniciativas que nos propusemos efectuar e todas aquelas com as quais colaboramos se concretizaram, desde visitas de estudo a museus, jardins e instituições públicas até acções de formação, tendo em vista a cidadania.

Também, e como vem sendo habitual nos últimos anos, a Junta colaborou com a Escola do 1º Ciclo da Bandeirinha, na realização do passeio de final do ano ao Portugal dos Pequenitos, financiando o transporte a toda a comunidade escolar.

O facto de, pelos motivos de conhecimento geral, o Infantário e ATL de Miragaia funcionarem na Escola do 1º Ciclo da Bandeirinha tem trazido a uns e a outros (alunos do pré-escolar e do 1º ciclo e professores) a oportunidade de encetar projectos conjuntos como, por exemplo, a Festa de Natal e, desta forma, enriquecerem-se ao nível da afectividade, da experiência de vida. 

VII - DESPORTO E CULTURA 

Ao avançarmos para a análise do Plano de Actividades Desportivas e do trabalho desenvolvido neste contexto, é importante levar em linha de conta o seguinte:

- No âmbito da política de fomento e apoio ao desporto, a todos os seus níveis, promovendo a criação de condições técnicas, logísticas e materiais necessárias à sua prossecução, não foi celebrado com a Autarquia, independentemente do propósito deste Executivo, qualquer contrato-programa de desenvolvimento desportivo e/ou comparticipação financeira. Importa, por isso, no quadro das relações com o sistema desportivo autárquico, qualificar este relacionamento do Município com os agentes locais, para que, futuramente, os recursos disponíveis sejam potenciados na sua concretização após a adopção e clarificação de normas públicas que regulamentem o seu acesso. Só assim, entendemos a dimensão moderna do desporto, assente numa visão de serviço público, que reconheça o direito de todos os cidadãos à cultura física e ao desporto.

Desta forma, no cumprimento do respectivo Plano e Orçamento aprovados para o ano de 2004, a Junta de Freguesia viu limitada a sua possibilidade de intervenção mais abrangente, privilegiando fundamentalmente o relacionamento e o envolvimento com as entidades sedeadas na área da freguesia e valorizando o empenhamento de quantos voluntariamente se entregam ao exercício dos mais diversos projectos. Neste cenário, continuamos a apoiar financeiramente as actividades das colectividades e associações, contribuindo para o estímulo das suas iniciativas culturais, recreativas e desportivas o que nos leva a considerar que existe hoje, ainda, independentemente de todas as vicissitudes, uma normal relação institucional.

Ao nível dos eventos pontuais, e tendo como público-alvo todos os alunos das escolas EB1, EB2,3 e Jardins de Infância da freguesia promovemos um dia de multi-actividades radicais, onde não faltaram os insufláveis e a parede de escalada. Esta actividade, foi integrada no programa dos festejos ao S. Pedro de Miragaia, onde constatamos, que um vasto leque de iniciativas lúdico-desportivas e culturais, foram também, mais uma vez, significativamente reduzidas face à não sustentabilidade financeira imposta pela CMP, abortando a possibilidade de satisfazer com qualidade e diversidade muito dos projectos a que habituamos os nossos munícipes.

No entanto e apesar do grande esforço financeiro a Junta de Freguesia garantiu um programa que deu visibilidade às Festas da Freguesia.

Por outro lado, não foram esquecidas as funções de formação, recreação e reinserção social levando a efeito as Férias Desportivas de Verão, com acções dirigidas a crianças, jovens e idosos com o objectivo de combater a inactividade física e induzir hábitos promotores de saúde, bem-estar e participação cívica.

Ao nível das actividades físicas e desportivas na idade sénior, pautamos a nossa actuação, dando continuidade ao programa da “Ginástica na 3.ª idade” com a disponibilização de um técnico de desporto e reforço do equipamento do mini-ginásio. A par desta iniciativa, aderimos pelo segundo ano consecutivo ao projecto do Campeonato Regional Norte de Boccia em idade avançada, facultando também material, equipamento, alimentação e transporte para as diversas deslocações dos idosos aos jogos. 

VIII - HIGIENE URBANA 

            Foram finalmente realizadas, a cargo do empreiteiro, obras no equipamento de Tomás Gonzaga, resultantes de acabamentos mal executados e cujas consequências estavam a degradar as instalações